
A Síndrome de Burnout é um problema cada vez mais latente na nossa sociedade, atingindo 30% dos trabalhadores do país. O Burnout é um estado de exaustão física e emocional resultante de diversos fatores individuais, organizacionais e sociais.No texto de hoje, as psicólogas e sócias da Somar Pessoas, Marcela Ribeiro e Ivana Heidemann, irão dar dicas para qualquer pessoa se manter longe desse problema e ter uma vida profissional mais saudável.
Continue lendo e aproveite as dicas de profissionais com extensa experiência em psicologia organizacional!
Conhecendo a Síndrome de Burnout
O Burnout é um tema bastante comentado, principalmente a partir de 2022, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS)passou a reconhecê-lo como doença ocupacional. Também conhecida como síndrome do esgotamento profissional, a Síndrome de Burnout é um estado de exaustão física e mental relacionado ao trabalho. É importante destacar que esta não é uma condição passageira de estresse no trabalho; trata-se de um estado mais grave e persistente.
Feita a contextualização inicial, vamos iniciar realizando um “autoexame” para entender se você está em algum dos 12 estágios do Burnout.
Os 12 estágios do Burnout
A atitude mais urgente quando pensamos em evitar o Burnout é olhar para si mesmo e tentar identificar algum sinal da Síndrome. Constatando algum indício, é importante não apenas agir para prevenir, mas também para tratar um problema já existente. Mas é importante destacar que mesmo se você se identificar com algum dos estágios, isso não significa que você tem Burnout. O diagnóstico e tratamento devem ser realizados exclusivamente por profissionais de saúde.
Os 12 estágios da Síndrome de Burnout foram elaborados pelos psicólogos Herbert Freudenberger e Gail North. Veja abaixo!
- Compulsão em demonstrar seu próprio valor: é aquela necessidade de mostrar que você sabe fazer o que está fazendo, e com excelência.
- Incapacidade de se desligar do trabalho: checar e-mails e mensagens antes de dormir, trabalhar finais de semana (sem que seja pedido pela chefia) etc, são alguns dos sinais.
- Negação das próprias necessidades: bom sono, alimentação adequada, tempo para o lazer tornam-se secundários – e essa atitude é vista como um sacrifício em nome de um bem maior.
- Fuga de conflitos: a pessoa percebe que há algo errado, mas evita enfrentar a situação. Os primeiros sintomas físicos podem surgir.
- Reinterpretação de valores pessoais: a família, os momentos de descanso, os hobbies, passam a ser vistos como coisas sem importância. A autoestima é medida apenas pelos resultados no trabalho.
- Negação de problemas: a pessoa se torna intolerante. Enxerga os colegas de trabalho como preguiçosos, incompetentes, indisciplinados. Pode haver aumento da agressividade e sarcasmo.
- Distanciamento da vida social: a vida social passa a ser restrita ou, até mesmo, inexistente. O trabalho é feito de maneira automática. A necessidade de relaxar pode levar ao uso de drogas ou álcool.
- Mudanças estranhas de comportamento: a pessoa torna-se muito diferente do que costumava ser. Quem era alegre e dinâmico torna-se apático e medroso. As alterações são óbvias e podem ser notadas pela família e amigos.
- Despersonalização: não é possível enxergar o próprio valor nem necessidades, bem como das pessoas ao seu redor.
- Vazio interno: para amenizar o desconforto, muitos recorrem às drogas, álcool, ou compulsões como comer e fazer sexo.
- Depressão: o futuro parece incerto, a vida perde o sentido. É comum o sentimento de estar perdido, cheio de incertezas e exausto.
- Síndrome de Burnout (ou esgotamento): há um colapso mental e físico, assim como pensamentos suicidas. Quem chegou até aqui, precisa de ajuda médica imediata.
É importante ressaltar que algumas pessoas passam por todos os estágios, mas outras não. E eles podem não aparecer nessa ordem. De qualquer forma, a lista serve como um alerta para os sinais aos quais você precisa ficar atento.
As causas do Burnout
Para saber como se manter longe da Síndrome de Burnout, é muito importante saber quais são suas causas, dessa forma, pode-se evitar e combater esses fatores. A principal causa do Burnout é o excesso de trabalho. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), jornadas de trabalho exaustivas contribuem para a morte de 2,8 milhões de pessoas no mundo anualmente.
Mas não é só isso!
Mesmo quem tem uma carga horária de trabalho saudável, pode desenvolver a Síndrome de Burnout, devido a diversos problemas de outras naturezas que ocorrem dentro da empresa.
- Falta de conexão com o ambiente de trabalho: relações tóxicas elevam o nível de estresse e podem tornar a permanência no emprego insustentável;
- Falta de recompensa: quando o colaborador tem a sensação de que o seu trabalho não é valioso para a empresa;
- Senso de injustiça: quando o trabalhador se vê prejudicado, pois entende que merecia ser reconhecido e tem a sensação de um favoritismo para outros colaboradores;
- Falta de controle sobre o próprio trabalho: não ter liberdade para fazer suas escolhas ou exercer a criatividade no ambiente corporativo;
- Incompatibilidade de valores: quando o colaborador entende que a empresa ou o trabalho não combinam com ele.
Muitas dessas causas passam pela falta da construção de uma cultura organizacional forte e pela despreocupação das empresas em criar e alimentar um bom clima organizacional.
Pensando nas causas do Burnout e considerando a experiência prática da Marcela e da Ivana sobre esse tema, confira algumas dicas preciosas de como evitar essa doença.
4 dicas para se manter longe da Síndrome de Burnout

Dicas para se manter longe da síndrome de Burnout.
As psicólogas e sócias da Somar Pessoas, Marcela e Ivana, selecionaram quatro dicas para você ficar bem longe do Burnout que podem ser colocadas em prática hoje mesmo.
Respeite os seus limites
O excesso de trabalho é a principal causa da Síndrome de Burnout. Ficar frequentemente depois do horário, trabalhar no fim de semana e assumir muitas tarefas são atitudes que irão levar você a um esgotamento físico e mental.
“Respeite o seu tempo de descanso – férias, folga, horário de almoço… Nós sabemos que, em alguns momentos é inevitável essa negociação do tempo livre, mas quando isso se torna a sua rotina é muito preocupante. Muitas vezes esse comportamento vem por pressão do meio, mas grande parte delas é uma pressão pessoal por resultados ou simplesmente a dificuldade de reconhecer os seus limites ou o medo de expor suas limitações que impedem as pessoas de parar. Cabe a você, portanto, se observar e, sempre que necessário, negociar sua carga de trabalho e pedir ajuda. Você precisa ser a primeira pessoa a colocar a própria saúde mental como prioridade.” Comenta Marcela.
Se você está sobrecarregado com muitas tarefas, é preciso perder o medo de dizer não e negociar melhores prazos com o seu gestor.
Descanse de verdade
Muita gente tem dificuldade para descansar de verdade e acaba se mantendo ocupada o tempo todo. É aquele hábito de almoçar com o celular na mão, ficar na TV até tarde e nunca dar uma pausa real.
Para relaxar de verdade, é importante se desconectar. Inclua atividades físicas, hobbies e momentos de descanso na sua rotina. Ao relaxar a mente e o corpo no seu tempo de folga, você estará muito melhor na hora de desempenhar suas funções profissionais.
Tenha boas relações no ambiente de trabalho
Relações tóxicas no trabalho fazem você se sentir desconfortável e malquisto pelos outros. Isso prejudica o seu desempenho e aumenta muito os níveis de estresse, podendo levar ao aparecimento da Síndrome de Burnout. Manter uma boa relação com colegas de trabalho é fundamental para um ambiente de trabalho saudável e produtivo.
Para cultivar boas relações com os colegas, você pode ter uma atitude proativa. Veja como fazer isso:
- Comunique-se de forma eficaz: ouça atentamente os colegas, comunique-se de maneira clara e assertiva e evite fofocas e mal-entendidos;
- Demonstre respeito: respeite as opiniões e perspectivas dos outros, mantenha um tom respeitoso e reconheça as conquistas e contribuições dos colegas. Lembre-se: todo e qualquer assunto pode ser debatido quando existe respeito entre as partes;
- Colabore e compartilhe conhecimento: esteja disposto a colaborar em projetos e tarefas, compartilhe conhecimento e experiências e valorize as habilidades e competências dos colegas;
- Seja confiável: cumpra seus compromissos e prazos (e comunique-se com clareza quando, porventura, não tiver condições de o fazer), seja honesto e transparente em suas ações e construa uma reputação de confiabilidade;
- Ofereça ajuda: esteja disposto a ajudar colegas quando necessário, demonstre empatia e compreensão e construa uma cultura de apoio mútuo;
- Mantenha um ambiente positivo: evite comportamentos negativos ou tóxicos, celebre conquistas e momentos positivos e mantenha uma atitude otimista.
Construir e manter relações saudáveis no ambiente de trabalho é um esforço contínuo que beneficia não apenas o ambiente profissional, mas também o bem-estar geral de todos os envolvidos.
Encontre o seu propósito
A incompatibilidade com a empresa ou com a profissão exercida também causa Burnout. Por isso, é muito importante encontrar o seu propósito profissional e trabalhar em algo que esteja alinhado a ele.
“O meu propósito profissional sempre foi desenvolver pessoas. Na Somar, eu encontrei um local que me permite exercer o meu propósito e ainda me dá liberdade e condições de fazer a coisa mais importante para mim nesse momento, que é cuidar e participar ativamente do desenvolvimento do meu filho.” Destaca Ivana, que valoriza muito a flexibilidade no trabalho.
Encontrar seu propósito é uma jornada desafiadora, mas também recompensadora. Veja algumas etapas que podem ajudá-lo a descobrir seu propósito e procurar um trabalho que permita exercê-lo:
- Pergunte a si mesmo sobre suas paixões, interesses, valores e habilidades. O que eu amo fazer? O que me energiza? Identifique suas habilidades e talentos. O que eu faço bem? O que as pessoas elogiam em mim? Considere também os seus valores fundamentais. Quais princípios são mais importantes para mim?;
- Explore diferentes carreiras, setores e indústrias. Leia sobre experiências de outras pessoas e faça cursos introdutórios. Converse com profissionais de diferentes áreas;
- Liste objetivos claros e tangíveis para sua carreira. O que eu espero alcançar em curto, médio e longo prazo?;
- Adquira as habilidades necessárias para perseguir seus objetivos. Isso pode envolver cursos e treinamentos;
- Conecte-se com pessoas da área que você deseja seguir;
- Se possível, inicie projetos paralelos que estejam alinhados com seus interesses;
- Faça avaliações regulares do seu progresso e ajuste seus objetivos conforme necessário. Esteja aberto a mudanças na sua trajetória à medida que você aprende mais sobre si mesmo;
- Pesquise oportunidades de emprego que estejam alinhadas com seus objetivos e propósito. Nessa etapa é muito importante utilizar sua rede de contatos.
Lembre-se de que encontrar seu propósito é um processo contínuo e pode levar tempo. Esteja disposto a explorar, aprender com suas experiências e fazer ajustes ao longo do caminho.
Ao trabalhar com algo que você gosta, as chances de se sentir motivado e realizado são muito maiores e as chances de desenvolver a Síndrome de Burnout são muito menores.
Trabalhe em um local que valorize a sua saúde mental
Todas as dicas até agora são bastante importantes, mas a verdade é que qualquer cuidado pode ir por água abaixo se você trabalhar em uma empresa que não se importa com a sua saúde mental. É de extrema importância que você esteja inserido em um ambiente que forneça as melhores condições para exercer a sua profissão com saúde e bem-estar.
“Na Somar, nós temos diversos clientes que tomam medidas práticas para cuidar da saúde mental de seus colaboradores. Em algumas dessas empresas, nós prestamos um serviço de acolhimento psicológico. Nesse formato, nossas psicólogas realizam atendimentos individuais com os colaboradores. O objetivo é dar um suporte emocional e psicológico para ajudá-los a lidar com questões diversas. Atualmente, prestamos esse serviços para as empresas Lyncas, Ábaco, Firmorama, ACIJS, Metroquadrado e Mannz.” – Marcela Ribeiro.
Mas mais importante do que conhecer algumas empresas que valorizam o bem-estar de seus times, é você saber o que analisar na hora de buscar uma nova oportunidade profissional. Sempre priorize empresas que possuem programas eficientes e consistentes que ajudam a prevenir a Síndrome de Burnout nos colaboradores.
Na sequência, iremos listar uma série de iniciativas que promovem a saúde mental nas organizações. Busque pelas ações a seguir na descrição dos benefícios da vaga ou mesmo questione na entrevista o que a empresa faz pelo bem-estar das equipes.
- Acolhimento psicológico
- Incentivo a atividade física, como descontos em academias
- Palestras e rodas de conversa sobre saúde mental
- Programa de incentivo a psicoterapia, com descontos em consultas
- Práticas integrativas, como meditação e ioga
- Atividades que promovam a integração do time
- Flexibilidade de horários e de local de trabalho
- Cultura de feedback e comunicação
- Treinamento de lideranças, para que cuidem da saúde mental do time no dia a dia
- Investimento na criação de espaços psicologicamente seguros e que gerem confiança entre as pessoas
É muito importante que você considere os itens acima na hora de decidir por trabalhar em uma empresa. Acredite, no longo prazo, a sua saúde mental vai agradecer!
Saúde mental é uma responsabilidade compartilhada

Saúde mental é uma responsabilidade compartilhada.
Cuidar da saúde mental do colaborador, e assim evitar a Síndrome de Burnout, é uma responsabilidade que deve ser compartilhada entre a empresa e o próprio profissional. Colaboradores com problemas psicológicos e emocionais custam muito caro para as empresas, pois o seu desempenho e produtividade caem bastante.
Porém, a parte mais prejudicada é sempre o indivíduo, visto que doenças como o Burnout são devastadoras para a sua vida de maneira integral.
Por isso, comece hoje mesmo a busca por mais qualidade de vida no trabalho!
