
De acordo com o conceito de saúde integral, devemos pensar em uma vida saudável como um conjunto de fatores que influenciam a nossa condição física e psicológica, além da nossa relação com o ambiente e com as outras pessoas.
Com isso em mente, é importante promover a saúde integral dentro das empresas, pois ela impacta de forma significativa no desempenho dos colaboradores.
O que é saúde integral?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades.” Porém, popularmente, quando se fala em saúde, pensamos apenas na saúde física, dessa forma, o termo “saúde integral” vem para corrigir esse erro, se referindo à saúde como algo mais amplo.
É essencial discutir esse tema e promover cuidados para a saúde integral das pessoas dentro das empresas, visto que problemas no bem-estar físico, mental e social acabam influenciando no desempenho no trabalho.
Saúde integral nas empresas
A pandemia da Covid-19 despertou o olhar para a saúde integral das pessoas e o mundo corporativo também sentiu esse impacto. Enquanto muitas pessoas tiveram problemas de saúde física, por terem contraído o coronavírus, outras sentiram os efeitos negativos do isolamento social, do medo de contrair o vírus e também de que a doença atingisse pessoas próximas. Ou seja, a pandemia afetou a saúde da população mundial em todos os níveis.
Em outubro de 2020, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal Rio Grande Sul (UFRGS) realizou um estudo que aponta que 80% da população brasileira se sentia mais ansiosa nesse período. Destes, 68% apresentavam sintomas depressivos, 65% expressavam raiva e 50% tiveram alterações no sono.
Se podemos tirar algum legado positivo da pandemia, é entender que é preciso cuidar da saúde de uma maneira integral, e isso também é responsabilidade das empresas.
No contexto empresarial, caracterizado por metas, prazos e responsabilidades, é imprescindível que o profissional esteja bem para ser mais produtivo e para que consiga manter o foco nas atividades que necessita realizar. Dessa forma, é fundamental que as organizações se preocupem em proporcionar um ambiente de trabalho com bem-estar para todos. Porém, não é só isso…
Os cuidados da empresa com a saúde do trabalhador, não podem se restringir aos limites da organização. É preciso considerar a vida e a rotina da pessoa como um todo!
Não é somente o que acontece dentro da empresa que afeta a saúde dos colaboradores, os problemas da vida pessoal também impactam na saúde e, consequentemente, no desempenho. E isso nos leva a um segundo nível de integralidade.

A pandemia da Covid-19 despertou o olhar para a saúde integral das pessoas.
Um segundo nível de integralidade
Quando falamos de modelos organizacionais, a palavra “integralidade” se refere a um dos pilares das Organizações Teal, termo utilizado para identificar as organizações com nível de consciência mais elevado – ao menos no que se tem mapeado até agora. São organizações que atuam com um modelo organizacional pioneiro, que permite a existência de equipes mais autônomas, criativas e engajadas e com colaboradores que possuem propósitos pessoais e profissionais alinhados com os objetivos da organização.
Os 3 pilares que sustentam as Organizações Teal são autogestão, integralidade e propósito evolutivo. O pilar da integralidade é muito importante para que as empresas entendam como ajudar a promover a saúde dos colaboradores.
De acordo com esse pilar, as pessoas devem ser contratadas por inteiro, com suas habilidades e experiências, mas também com suas emoções, paixões, intuições, objetivos, hobbies, preferências e diferenças. Tudo faz parte e não existe diferenciação entre o profissional e o pessoal.
É preciso contratar a “pessoa” e não apenas o “profissional”.
Entender que não há divisão entre o profissional e o pessoal é compreender que a saúde do colaborador precisa ser pensada em dois níveis de integralidade: o primeiro diz respeito à saúde não só como saúde física, mas também mental e social; o segundo nível se refere a pensar a saúde não só dentro das empresas, mas também na vida pessoal, entendendo que elas são parte da mesma coisa.
Ao considerar esses dois níveis de integralidade, é importante que pensemos em atitudes para colocá-los em prática no dia a dia das equipes de trabalho.

Não existe diferenciação entre o profissional e o pessoal.
Como implementar a saúde integral nas empresas
O foco das ações para implementar a saúde integral não deve se restringir à melhoria do bem-estar do profissional, e sim contemplar a qualidade de vida do indivíduo, que não se limita às atividades inerentes ao seu cargo. É crucial compreender que, assim como o corpo não é algo desvinculado da mente, os problemas da vida pessoal facilmente se confundem com as dificuldades da vida profissional.
A seguir, veja algumas atitudes que toda empresa pode colocar em prática para cuidar da saúde dos colaboradores de forma integral.
Saúde física
Quando o assunto é saúde, a alimentação é um dos primeiros fatores que precisam ser revistos. E cuidar da alimentação dos colaboradores também deveria ser preocupação das empresas! De acordo com um estudo da Universidade de Brigham Young, nos Estados Unidos, com 20 mil trabalhadores, quem tem hábitos alimentares ruins é 66% mais propenso a apresentar queda de produtividade em comparação com aqueles que seguem uma dieta saudável.
Para intervir nessa questão, as empresas podem tomar algumas atitudes:
Campanhas de conscientização: promover palestras e distribuir materiais informativos que mostram a importância de uma alimentação saudável;
Boa alimentação: seja por meio dos restaurantes internos ou apenas através dos lanches oferecidos ao longo do dia, as empresas podem incentivar a alimentação saudável no time;
Plano de saúde: oferecer planos de saúde que contemplem acompanhamento nutricional também é uma atitude positiva.
Outro pilar importante da saúde física são as atividades físicas. Da mesma forma, a organização pode realizar diversas ações para incentivar os colaboradores a cuidarem da própria saúde:
Campanhas de conscientização sobre os efeitos positivos dos exercícios;
Contratação de um profissional para guiar atividades de ginástica laboral;
Incentivar os alongamentos ao longo do expediente;
Buscar parcerias para oferecer descontos em academias, clubes e outros locais para a prática de atividades físicas;
Criação de grupos para atividades físicas coletivas, como grupos de corrida e aulas de yoga.
Em todos esses exemplos, as ações por parte da empresa para promover a saúde física dos colaboradores, também terão efeito na vida pessoal. Hábitos de alimentação saudável e prática de exercícios físicos tendem a ser adotados para a rotina além do expediente.
Saúde mental
Quando falamos de saúde mental, a consciência de que vida pessoal e vida profissional não são separadas é ainda mais importante. O profissional que está passando por problemas na sua vida pessoal, vai levar essa carga para dentro da empresa. E nesse contexto, o líder tem um papel fundamental.
As lideranças precisam ficar atentas ao comportamento de seus liderados no dia a dia, e isso não significa vigiar, mas sim, ouvir com atenção, entender as necessidades, dificuldades e expectativas e criar relações genuínas e transparentes.
É importante não invadir a privacidade do indivíduo, porém, os líderes não podem ter receio de tratar de assuntos pessoais, pois se eles estiverem causando transtornos como ansiedade e depressão ao colaborador, é essencial que o líder saiba dessa situação.
Um estudo realizado pelo Workforce Institute, mostrou que as lideranças impactam mais na saúde mental dos colaboradores (69%) do que terapeutas (41%) e tanto quanto um cônjuge ou parceiro amoroso. Ou seja, lideranças próximas são essenciais para a saúde mental do time.

Os líderes não podem ter receio de tratar de assuntos pessoais.
Veja algumas atitudes que as empresas podem tomar para contribuir com a saúde mental das equipes:
Realize campanhas de conscientização sobre transtornos como ansiedade, depressão e burnout;
Promova uma cultura de segurança psicológica;
Ofereça um plano de saúde com cobertura de psicólogos e psiquiatras;
Respeite os dias e horários de descanso dos colaboradores;
Convide profissionais para realizar palestras e rodas de conversa sobre saúde mental.
Realize parcerias com profissionais especializados para fazer acolhimento psicológico para o colaborador. Aqui, na Somar Pessoas, nós podemos ajudar a sua empresa com esses cuidados, entre em contato conosco!
Um outro aspecto muito importante é que a empresa tem que cuidar da sua estrutura e distribuição de demandas, pois não adianta ter um programa de bem-estar e uma carga de trabalho impossível de ser efetivada ou um chefe abusivo.
Mas além do bem-estar físico e mental, veremos na sequência, que a empresa também pode contribuir para o bem-estar social dos seus colaboradores.
Saúde social
Segundo Aristóteles “O homem é um ser social”. Conviver com outras pessoas de maneira saudável também é importante para a nossa saúde.
Bons relacionamentos são protetivos de problemas de saúde física e mental. De acordo com um editorial sobre solidão e isolamento social, publicado no jornal The Lancet, um dos periódicos científicos mais respeitados do mundo, “Conexões sociais empobrecidas são associadas a um risco aumentado de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, infecções, declínio cognitivo, depressão e ansiedade.”
Um estudo, realizado em 2010 na Universidade Brigham Young, dos Estados Unidos, revelou que indivíduos com relações sociais fortes têm 50% mais chance de sobreviver por mais tempo em comparação àqueles que interagem menos com o meio onde vivem.
Se as relações sociais são tão importantes, como as empresas podem incentivá-las?
Primeiramente, é importante olhar para dentro da organização. É preciso criar um ambiente com respeito às diversidades, para que todos os colaboradores se sintam aceitos no time.
Também é fundamental realizar ações visando a integração dos colaboradores. Realize confraternizações em datas comemorativas, incentive happy hours e outras atividades em grupo fora do ambiente de trabalho. Até mesmo para equipes remotas é possível criar momentos para integração on-line.
As relações sociais não relacionadas ao trabalho também devem ser uma preocupação das empresas e para incentivar isso, bastam atitudes muito simples: não sobrecarregar os colaboradores, não solicitar que façam horas extras com frequência e não permitir que levem trabalho para casa.
Deixar a pessoa com tempo livre para cuidar das suas relações sociais fora do trabalho é essencial para a saúde integral do profissional.
Todos os cuidados com a saúde do colaborador devem estar interligados, visto que é necessário que o profissional esteja bem por completo para poder apresentar uma alta performance no trabalho e se realizar na sua vida.
De acordo com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em 2022, 209.124 mil pessoas foram afastadas do trabalho somente por transtornos mentais. Ou seja, quando se trata de saúde, a prevenção é sempre o melhor caminho!
É importante que a gestão entenda que as ações que visam promover a saúde integral do time são positivas para todos.