
“Organizações Teal” é o termo utilizado para identificar as organizações com nível de consciência mais elevado – ao menos no que se tem mapeado até agora. Trata de organizações que atuam com um modelo organizacional pioneiro, que permite a existência de equipes mais autônomas, criativas e engajadas e com colaboradores que possuem propósitos pessoais e profissionais alinhados com os objetivos da organização.
No artigo de hoje, você vai compreender como funcionam as Organizações Teal e quais os benefícios que esse modelo pode gerar para as empresas, inclusive para a sua!
O livro Reinventando as Organizações

Livro Reinventando as Organizações, de Frederic Laloux.
“Impressionante! Brilhante! Este livro muda o mundo!” – Jenny Wade, Ph.D.
A frase acima está na capa da edição em português do livro Reinventing Organizations: A Guide to Creating Organizations Inspired by the Next Stage of Human Consciousness, na tradução: “Reinventando as Organizações: Um Guia Para Criar Organizações Inspiradas no Próximo Estágio da Consciência Humana”.
Seja pela frase na capa ou pelo título da obra, este livro pode gerar altas expectativas quanto ao seu conteúdo. Mas nada disso é à toa: ele entrega tudo o que promete!
“Reinventando as Organizações” foi escrito por Frederic Laloux, ex-diretor da empresa de consultoria McKinsey & Company. O autor faz uma profunda reflexão sobre o passado, presente e futuro das organizações, trazendo diversos casos reais sobre as mudanças que estão ocorrendo.
“Você nunca muda as coisas lutando contra o que já existe. Para mudar alguma coisa, construa um novo modelo que faça com que o modelo atual se torne obsoleto.” – Richard Buckminster Fuller
É com esta citação, que é como um chamado para a ação, que Laloux inicia o livro.
Mas que mudanças são essas?
O conceito principal da obra são as Organizações Teal, e mais adiante neste artigo você vai entender o que isso significa.
Curiosidade: como o livro veio para o Brasil
Se hoje você está lendo este artigo sobre o livro “Reinventando as Organizações” e tem a possibilidade de adquirir o livro em português, é graças a um grupo de pessoas que reuniu esforços para viabilizar a publicação do livro aqui no Brasil. E nada mais justo do que nós contarmos essa história.
Um grupo de pessoas, reunidas pelo conteúdo do livro, se propôs a organizar a publicação para o mercado brasileiro. A tradução foi realizada de forma colaborativa, por meio de um grupo de estudos no Facebook. O livro foi traduzido em 2 meses por um grupo totalmente autogerido de pessoas que nunca haviam se visto.
Também foi realizada uma campanha de crowdfunding para a publicação, que teve 6 semanas de duração, arrecadando R$ 70.000,00 e possibilitando a impressão de 3000 cópias. Essa foi a tiragem inicial.
Durante o processo, patrocinadores também foram chegando para colaborar com a causa.
E o mais interessante desta história, é que alguns dos princípios mais valorizados no livro (autogestão, colaboração e ausência de liderança centralizadora) foram utilizados para possibilitar a publicação. Ou seja, os conceitos apresentados na obra já foram colocados em prática.
A evolução dos modelos organizacionais
Voltando ao conteúdo do livro, vamos apresentar a evolução dos modelos organizacionais.
Teal é uma palavra da língua inglesa que refere-se a cor verde-azulada. No livro, Laloux faz uma avaliação histórica dos níveis de consciência atingidos pelas organizações e relaciona sete principais modelos organizacionais, aprofundando-se nos estudos dos cinco mais recentes. Cada modelo é representado por uma palavra e uma cor: impulsivo-vermelho, conformista-âmbar, realizador-laranja, pluralista-verde e evolutivo-Teal. Sendo Teal a cor que representa o modelo mais atual e revolucionário.
Antes de falarmos sobre as Organizações Teal, é importante que você conheça um pouco dos outros modelos.

A evolução dos modelos organizacionais.
É importante ressaltar que este é um processo de evolução, ou seja, melhorias feitas a partir de um modelo deram origem ao próximo. Porém, isso não significa que os modelos anteriores tenham sido abandonados. Como você pôde ver na figura, ainda existem exemplos de aplicação de cada um dos modelos.
Mas o que torna o Teal um modelo tão revolucionário? Responderemos esta pergunta na sequência!
Organizações Teal: autogestão, integralidade e propósito evolutivo
As Organizações Teal são instituições que fogem do sistema hierárquico tradicional, proporcionando uma gestão descentralizada para desenvolvimento de colaboradores e maior diversidade na tomada de decisão.
Os 3 pilares que sustentam as Organizações Teal são autogestão, integralidade e propósito evolutivo. Por meio deles, toda a estratégia é influenciada pela inteligência coletiva, aliando alta produtividade, satisfação dos colaboradores e eficiência operacional da instituição.

A autogestão é um dos pilares mais procurados por empresas.
- Autogestão: a hierarquização dá lugar à descentralização. A responsabilidade da tomada de decisão se divide, pois há confiança na inteligência individual e coletiva dos colaboradores. As pessoas e times possuem autonomia e se responsabilizam pelo trabalho, almejando um objetivo comum, através de acordos entre as equipes. Porém, isso não significa a ausência de lideranças na organização, mas a distribuição da liderança. Ainda existe a necessidade de algumas pessoas assumirem a responsabilidade por projetos ou atividades específicas, mas não necessariamente são sempre as mesmas pessoas (muda de acordo com a afinidade com cada tema) e isso não as torna mais importantes do que os demais. A estrutura de pirâmides se transforma em uma estrutura de redes;
- Integralidade: o objetivo é que as pessoas, quando contratadas, venham por inteiro, com suas habilidades e experiências, mas também com suas emoções, paixões, intuições, objetivos, hobbies, preferências e diferenças. Tudo faz parte e não existe diferenciação entre o profissional e o pessoal. Neste sentido, os colaboradores são incentivados a se desenvolverem de forma integral. Quando as empresas promovem a integralidade e criam espaços seguros para as pessoas pensarem, as possibilidades de emergir criatividade e inovação se expandem;
- Propósito evolutivo: todos os membros são convidados a conhecer e entender o que a organização deseja ser e quais são seus objetivos. Da mesma forma, o propósito dos colaboradores também é levado em consideração. Existe uma abertura para perceber, sentir e responder ao que está acontecendo no presente momento e permitir que emerja o movimento seguinte. Assim, se alcança uma alta adaptabilidade e o fluxo evolutivo acontece de maneira orgânica.
Com esses 3 pilares, é possível criar uma organização mais criativa, inovadora e competitiva, além de diversos outros benefícios que podem já estar passando pela sua cabeça. A seguir, você vai conhecer mais algumas vantagens proporcionadas pela adoção do modelo Teal.
Os benefícios de implementar o modelo Teal

A cada dia mais empresas estão aderindo ao modelo.
Agora que você já conhece as principais características das Organizações Teal, vamos ver o que esse modelo pode proporcionar para as empresas.
- Menos processos e mais produtividade: a autogestão é capaz de gerar um público interno mais comprometido, proativo e motivado. Quando os colaboradores possuem o controle da própria rotina, as decisões são tomadas com mais facilidade. Ao invés de passar de departamento em departamento e esperar a aprovação das lideranças, as soluções são implementadas mais rapidamente. Com isso, há um ganho de produtividade;
- Desenvolvimento de colaboradores: através de uma gestão descentralizada, novos talentos profissionais podem desabrochar. Isso porque, ao oferecer a tomada de decisão e a autogestão, os próprios colaboradores conseguem se desenvolver para solucionar demandas e desafios;
- Cargos e salários mais condizentes: por ser um modelo em rede, o poder já está distribuído. Não existem cargos mais importantes do que outros. Existe uma distribuição de tarefas conforme as habilidades de cada pessoa, dependendo do projeto. As empresas também podem realizar avaliações periódicas para descobrir se as atividades que o colaborador está exercendo fazem sentido para ele e se ele gostaria de assumir novas responsabilidades. Quanto à remuneração, ela deve estar de acordo com aquilo que a pessoa desempenha. Para decidir qual é a remuneração adequada, comitês são realizados, com a participação do próprio colaborador. Há empresas que utilizam bônus para conseguir colocar isso em prática;
- Desenvolvimento coletivo: o convite à gestão é dado para todo colaborador que deseja aplicar seus conhecimentos e contribuições para a empresa. Isso aumenta o engajamento, a criatividade e a cultura de inovação. Ao desenvolver suas habilidades, não só o colaborador ganha, mas também toda a organização. Dessa forma, há uma evolução coletiva.
- Bem-estar: no modelo Teal, todo trabalhador tem a chance de se sentir pertencente e necessário, já que sua voz também importa. A integralidade faz com que o colaborador consiga ter um maior bem-estar, pois leva em consideração também aspectos emocionais no dia a dia.
Como transcender para um modelo Teal?
Se você gostou do que viu até agora sobre as Organizações Teal, pode estar se perguntando como colocá-la em prática. Veja algumas ideias e atitudes importantes para isso!
- Mude a estrutura de comando para uma forma mais horizontal, eliminando as hierarquias
- Desburocratize processos
- Promova o aprendizado contínuo
- Dê mais autonomia para os times e colaboradores
- Entenda e comunique o propósito organizacional
- Promova conversas para descobrir os propósitos dos colaboradores
- Promova programas para cuidar da saúde mental das equipes
- Valorize o colaborador como um ser complexo
- Implemente uma cultura aberta a mudanças
- Capacite as pessoas para o gerenciamento de conflitos
- Defina processos de aconselhamento, que permitam a autonomia para tomada de decisão
As dicas apresentadas não são tudo que você precisa saber para implementar o modelo Teal. O ideal é que você leia o livro “Reinventando as Organizações” e busque cases de empresas que já estão passando por essa transformação.
No livro, Frederic Laloux trabalha cases de doze empresas que já vivenciam o modelo Teal, entre elas a Morning Star, Buurtzorg e Patagonia. Spotify e Nearsoft também são exemplos que podem ser estudados. Isso nos mostra que, apesar de pioneiro, esse modelo é possível e já traz resultados reais em algumas organizações (algumas delas há cerca de 50 anos).
Na Somar, os estudos sobre Organizações Teal não param!
Aqui na Somar, nós estamos devorando o livro “Reinventando as Organizações” nos últimos meses.
Nós acreditamos que o conceito de Organizações Teal será cada vez mais discutido e implementado nas empresas e por isso, se aprofundar nesse assunto é fundamental para nós que trabalhamos com cultura organizacional.
Inclusive, nós já estamos aplicando os ensinamentos desta obra dentro das organizações nas quais atuamos, pois esse novo modelo organizacional contém aspectos que podem contribuir muito para os nossos clientes.
Com um conhecimento mais aprofundado, poderemos implementar práticas das Organizações Teal com muito mais propriedade e assertividade dentro das empresas.